23 de abril de 2003
Berzoini discute reforma da Previdência com bancada

A bancada do PT na Câmara se reúne hoje com o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, para discutir a reforma da Previdência. A proposta do governo deve ser enviada ao Congresso até o fim deste mês. A reunião será no plenário 1 do Anexo II da Câmara, logo após o encerramento das votações em plenário.

Segundo o presidente do PT, José Genoino, o critério que será seguido na reforma é o da justiça social. Genoino, que estará presente ao encontro, citou como avanços da proposta a elevação do teto para quem está no regime geral, o incentivo para a contribuição de quem está na informalidade e mecanismos para que os trabalhadores que não tenham como comprovar tempo de serviço por não terem documentação possam receber pelo menos um salário mínimo quando atingirem a idade para se aposentar.

O presidente do PT defendeu mudanças também na aposentadoria do setor público. "Nossa reforma não vai prejudicar 80% dos servidores públicos do país. Mas é preciso que os que se aposentam com altos salários contribuam solidariamente com o sistema", afirmou. Genoino considera que a cobrança dos inativos é justa, pois a média das aposentadorias é alta. Ele lembrou que a média de aposentadoria no Ministério Público é de R$ 12 mil, no Judiciário é R$ 8 mil e no Legislativo é R$ 7 mil.

O presidente petista acredita que o aumento da idade mínima para que o servidor público possa se aposentar irá incentivar o servidor a permanecer no serviço público. Ele apóia ainda o aumento no tempo necessário para que uma pessoa que trabalhava na iniciativa privada possa se aposentar com proventos integrais após ingressar no serviço público. Atualmente, para receber a aposentadoria com salário integral, o servidor deve ter 10 anos de efetivo exercício, e o governo defende o aumento para 20 anos. Também aumentaria de cinco para 10 anos o tempo exercido em funções gratificadas para que o servidor tenha o direito de se aposentar com os valores da função.

O presidente do PT disse que a maioria das críticas à reforma da Previdência está equivocada. "Os dados falam por si só. É preciso tornar o sistema mais justo para que atenda aos trabalhadores de maneira geral", afirmou.

Pellegrino defende reforma
O deputado Nelson Pellegrino (BA), líder do PT na Câmara, defendeu ontem a reforma da Previdência. Apesar de taxar os inativos, como forma de aumentar a receita dos Estados, Pellegrino destacou a elevação do teto para quem está no regime geral, o incentivo para a contribuição de quem está na informalidade e a criação do sistema de previdência complementar, com fundos fechados, sem fins lucrativos e administrados em conjunto por servidores e governos. Ele citou também como positiva a interface da reforma previdenciária com a tributária ao modificar o recolhimento da contribuição sobre a folha de pagamento. "A contribuição cairá de 20% para 10%", explicou.

Para o líder petista, a reforma vai equilibrar as contas públicas e promover justiça social. "Com a reforma, todos os recursos que a União coloca para complementar o regime geral e o regime dos servidores públicos da Previdência irão para programas sociais e para ações de desenvolvimento econômico", afirmou. Pellegrino citou que, somente em 2002, a União repassou R$ 23 bilhões para o primeiro e outros R$ 39 bilhões para o segundo.


O nó cego da Previdência Social
Didymo Borges, Lista de Direitos Humanos, Yahoo. Você sabe onde está a grande dificuldade que torna imprescindível a aprovação da reforma da Previdência? Foram as melhorias das condições de vida do povo brasileiro que tornaram a aprovação da reforma imprescindível. A progressiva maior longevidade do brasileiro acabou por inviabilizar o modelo de Previdência Social idealizado há quarenta anos atrás. "O aumento da longevidade da população faz com que o Governo tenha que pagar os benefícios dos aposentados por mais tempo",  diz a análise do conservador Diário de Pernambuco abaixo transcrita. Dentro de quatro décadas o Brasil terá cerca de 9 milhões de anciãos de 80 anos! A melhoria das condições de vida, de assistência social e médica tornarão o que chamávamos de anciãos em cidadãos perfeitamente aptos a atividades produtivas e lúdicas. Como agora, os sexagenários estão cada vez mais espertinhos, com funções sexuais normais, com o prostatic specific antigen (PSA) sob controle, a evolução das funções cárdio-circulatórias em constante observação. Veja as consequências destas melhorias sobre a Previdência na análise abaixo sob o título "Longevidade Abala a Previdência".
 
20 de abril de 2003
Longevidade abala previdência
Pessoas com mais de 65 anos somam hoje 8% da população. Em 2030, proporção atingirá 20% dos brasileiros. Rosa Falcão, Diário de Pernambuco

O rombo da previdência no Brasil estimado em R$ 80,1 bilhões este ano tende a se agravar porque as pessoas estão vivendo mais. Hoje, os idosos - pessoas com 65 anos ou mais - representam 8% da população. No ano de 2030 essa proporção atingirá 20% dos brasileiros. De acordo com dados da Previdência Social, o número de pessoas com 80 anos ou mais era de 700 mil habitantes em 1980 e passará a cerca de 9 milhões nos próximos 47 anos. O aumento da longevidade da população faz com que o Governo tenha que pagar os benefícios dos aposentados por mais tempo. Se não houver um freio de arrumação, com a adoção de um teto e idade mais longa para se aposentar, os regimes previdenciários poderão entrar em colapso e faltar dinheiro para pagar os benefícios.

É o que mostra o estudo "Envelhecimento Mundial - Desafio do novo milênio", da consultoria Watson Wyatt Worldwide, especializada em previdência e do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos (CSIS). Newton César Conde, atuário e sócio-diretor da Watson, é taxativo: a previdência é um sistema desequilibrado. A maior longevidade das pessoas está levando os países mais desenvolvidos a repensarem os sistemas de previdência. Segundo ele, se quisermos poupar os segurados atuais do Regime Geral de Previdência (RGPS) e dos Regimes Próprios, teremos que atuar em cima dos futuros segurados.

Conde defende a adoção de um teto para aposentadoria inferior ao valor de R$ 1.561,60, pago hoje pelo INSS. Além de uma idade mais avançada para a aposentadoria. Segundo ele, nos países desenvolvidos as pessoas trabalham até os 65 ou 70 anos. O argumento do especialista em previdência é simples. Não há mais espaço para o crescimento das receitas dos regimes de previdência e do INSS porque as contribuições já são pesadas para o bolso dos trabalhadores. A saída será atacar do lado das despesas do sistema previdenciário.

Desequilíbrio
Como as pessoas estão vivendo mais e se aposentando mais cedo, oneram cada vez mais o caixa da previdência. Com um agravante: os inativos deixam de contribuir quando se aposentam, causando um desequilíbrio no caixa dos regimes de previdência. A situação poderá ser alterada se passar a cobrança dos inativos na proposta de Reforma Previdenciária que será encaminhada pelo presidente Lula ao Congresso. Caso contrário, a tendência é a equação se inverter, com cada vez menos contribuintes para pagar mais aposentados.

Pelo estudo atuarial da Fundação das Aposentadorias e Pensões de Pernambuco (Funape), Pernambuco chegará ao ano 2010 com a proporção de 1 ativo para 1 aposentado. Significa que cada servidor em atividade estará pagando o benefício de um aposentado. No Brasil, essa proporção já é de 1 ativo para 0,8 aposentado, mostrando que já está descoberto o benefício. "A situação é dramática. Para equilibrar um sistema dessa forma teríamos que aumentar em 100% a alíquota de contribuição", confirma Nilo Lins, presidente da Funape.

Segundo Lins, o desequilíbrio aumenta porque a tábua de idade foi puxada para cima no Brasil. As pessoas estão vivendo mais e usufruindo o benefício previdenciário durante tempo maior. Hoje, o servidor público entra para a inatividade com 55 anos e vive até os 75 anos. O Estado desembolsa o pagamento da aposentadoria por mais vinte anos. Antes a longevidade alcançava os 65 anos. Dez anos a menos para pagar o benefício.


17 de abril de 2003
Proposta da Previdência propõe taxação dos servidores inativos que ganham acima de R$ 1.058
O presidente Lula da Silva e os governadores vão entregar ao Congresso Nacional, no dia 30, as propostas das reformas tributária e da Previdência. Com o aval dos 27 governadores, o Governo decidiu pela cobrança previdenciária dos servidores inativos que ganham acima de R$ 1.058. As duas principais centrais sindicais do país reagiram às propostas de reforma que criam um teto único de R$ 2.400 para as previdências pública e privada e que aumentam em sete anos a idade mínima para aposentadoria do setor público.

Reforma Tributária. No caso da reforma tributária, o governo também conseguiu o apoio dos governadores para alguns itens, deixando os pontos mais polêmicos para depois. O ICMS terá legislação única no país, mas o governo decidiu que a cobrança deste imposto continuará sendo feita nos estados de origem.

O senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou hoje ao Jornal da CBN que dificilmente o Governo conseguirá aprovar no Congresso a taxação dos servidores públicos inativos contida na proposta da reforma previdenciária. Paim lembra que o partido sempre lutou contra esta posição e diz que se a proposta for encaminhada pela base governista, a tendência é de que seja reprovada no Congresso. Paim acredita que, caso a proposta consiga a aprovação na Câmara e no Senado, a decisão pode ir parar no Supremo Tribunal Federal.


15 de abril de 2003
Deputado propõe consulta popular sobre Previdência
A população brasileira poderá se manifestar sobre o regime de Previdência do país. A proposta é do deputado Roberto Gouveia (PT-SP), que apresentou projeto de decreto legislativo (PDC no 46/03) para a realização de plebiscito ou referendo popular para definir o modelo previdenciário do Brasil. A iniciativa conta com o apoio de 270 assinaturas parlamentares.

A proposta de Gouveia é de que a consulta popular apresente quatro possibilidades de regime previdenciário. A primeira seria um regime único, com regras iguais para trabalhadores da iniciativa privada, servidores civis e militares, juízes, membros do Ministério Público e parlamentares. Na segunda alternativa apenas os militares ficariam excluídos do regime único. Na terceira, além dos militares, os juízes e membros do Ministério Público ficariam de fora. A última opção seria a manutenção dos atuais regimes de previdência. O plebiscito perguntaria também a respeito do teto de benefícios do regime básico, entre os valores de R$ 2.400, R$ 3.600 e R$ 4.800. [Agência Informes]


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